Carta Aberta aos brasileiros - A quem interessa o impeachment da presidenta Dilma Rousseff?
Desde que ocorreu a última eleição presidencial, na qual Dilma Rousseff
foi reeleita como presidente ou presidenta do Brasil, iniciaram os
movimentos para a sua derrubada. Houve várias tentativas e formas,
primeiro para que nem fosse diplomada, depois que não tomasse posse e
que fosse cassado o registro da Dilma e de seu vice Michel Temer e, em
seu lugar, o candidato que ficara em segundo lugar, ou seja, Aécio Neves
ocupasse a presidência. Como nada disso deu certo, iniciou-se uma
movimentação nacional para tentar o impeachment de Dilma Rousseff, tendo
como fundamento a grave crise política gerada a partir da Operação
Lava-Jato, que investiga o bilionário desvio de recursos da Petrobrás,
apelidado de Petrolão.
Não quero aqui ser advogado da Dilma, nem do PT, nem de ninguém. Quero
unicamente fazer uma refelxão sobre o que está por trás de todo esse
movimento de impeachment.
Para começar, IMPEACHMENT é um ato político e não tem nada a ver com o
Judiciário como alguns estão imaginando. No dicionário encontraremos a
seguinte explicação: "Impeachment é uma expressão inglesa usada
para designar a cassação de um chefe do Poder Executivo. Significa
também impedimento, impugnação de mandato, retirar do cargo uma
autoridade pública do poder Executivo". Portanto, que fique claro, que isto é um procedimento do Poder Legislativo. Em outras palavras, um ato político.
Pergunto: quem atualmente, em sua grande maioria compõe o novo Congresso
Nacional? Vários deles são suspeitos e sendo acusados na Operação Lava
Jato. Para dar um exemplo, segundo já publicado e veiculado na mídia
impressa e televisiva, dez dos 15 deputados indicados até o momento para
a nova CPI da Petrobrás receberam doações nas últimas eleições, algo em
torno de R$ 1 milhão e novecentos mil reais, das empreiteiras citadas
na operação Lava Jato e prováveis alvos da CPI criada.
Não. Esse país não é sério. São estes que estão propondo o impeachment
de Dilma. A primeira coisa a ser deixada bem clara é que, caso isso de
fato ocorresse, é que no caso de seu impedimento quem assume a
presidência é o vice Michel Temer. Ora, o que significa isto, sob o
ponto de vista político? Michel Temer é do PMDB, que está tão envolvido
com toda esta roubalheira da Petrobrás e de tantas outras empresas
quanto o PT. Também não tenho medo de afirmar qaue todos os partidos,
uns mais e outros em menor escala estão envolvidos com irregularidades.
Partido político no Brasil virou um grande negócio.
Outra coisa que tem que ser lembrado neste momento é que os governos
estão a serviço das grandes empreiteiras e empresas, muitas delas multi e
transnacionais. Estas, por sua vez, são altamente especializadas e
envolvem e financiam políticos, governos e governantes, pois controlam
todo um sistema econômico. Não é por acaso, que tantos empresários estão
presos ou respondendo por crime nesta ação. Não tem inocente nesta
história.
Portanto pergunto novamente: a quem interessa o impeachment? Para
muitos, o impeachment acalmaria uma parte da sociedade e os enganaria,
tentando mostrar que todo o problema estaria resolvido. Ledo engano.
Eu sou uma testemunha viva, como muitos que lerão este artigo, do
impeachment do presidente Fernando Collor de Melo. Também fui um "cara
pintada" em Belém do Pará, levando alunos do Ensino Fundamental para as
ruas, com as caras pintadas, tarjas pretas e gritos de ordem. Confesso
que me envolvi naquele movimento nacional, por motivações ideológicas,
acreditando piamente que estava ajudando a moralizar o país. Mas afinal,
valeu a pena isto tudo?
O processo de impeachment de Collor foi aprovado no Congresso Nacional
por 441 votos a favor e 38 contra, no dia 29 de setembro de 1992, quando
foi afastado do governo. Ele renunciou no dia 29 de dezembro daquele
ano o que não impediu a finalização do processo. Na época, ele foi
acusado por mais de 100 crimes, entretanto no dia 12 de dezembro de
1994, o Supremo Tribunal Federal inocentou Collor do crime de corrupção
passiva do qual era acusado. Dos demais crimes, foi absolvido da mesma
forma, tendo como advogado o ex-deputado e condenado no mensalão o
advogado criminalista Roberto Jefferson. Mais tarde, Collor retornou à
vida pública, deu a volta por cima e atualmente é Senador da República.
Quem estava com Collor na época, também era o atual presidente do Senado
Federal Renan Calheiros, poderoso e também acusado de corrupção. Caso
viesse a ocorrer o impeachment de Dilma, Renan seria o maior beneficiado
com todo o processo. Portanto, pergunto novamente: Vale a pena? A quem
interessa?
Nossa luta não pode ser por um processo de impeachment, mas sim contra a
corrupção. Esta sim deve ser combatida, e ressalte-se, está em todos os
partidos e no DNA de grande parte dos políticos que se dizem
representantes do povo. Estes, não representam o povo, mas unicamente as
grandes empresas, os oligopólios, as transnacionais que os bancam para
que ajam em favor de seus interesses econômicos.
Espero sinceramente, que todos os envolvidos com a corrupção,
empresários, políticos ou mesmo representantes de outros poderes, seja
na Petrobrás ou qualquer outra empresa, sejam punidos.
Impeachment neste momento ofuscará e enganará a sociedade e esconderá o verdadeiro problema.
Para finalizar, lembro o que tenho dito a meus alunos de Comunicação
Social, que grande parte da mídia está a serviço desta onda e por este
motivo cito Joseph Pulitzer, inspirador do principal prêmio de imprensa e
literatura nos EUA: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".
Escrito
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