sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pascal e a Hiper Modernidade


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 Para o filósofo Blaise Pascal, há uma indagação primeira para a qual o ser humano sempre tentou encontrar uma resposta, qual seja: por que as pessoas parecem incapazes de buscar a felicidade? Nesse sentido, há de se também indagar: por que os homens procuram a pura agitação e o mero divertimento como forma de se obter a máxima felicidade? E o contrário disso procede? O homem em completo equilíbrio e em total estado de repouso – longe de tumultos e de agitações – é quem estaria, de fato, apto a alcançar a tão sonhada felicidade? Como se vê, existem várias abordagens para o mesmo tema. Portanto, para o referido autor, muito se pensou a respeito desse assunto; muito se especulou acerca de qual seria a causa de todas as nossas infelicidades.
Com efeito, e ainda de acordo com Pascal, é de se registrar que a infelicidade humana provém de uma só causa: o fato de o homem não suportar ter que pensar a sua infeliz condição, de ter que se debruçar sobre a sua vida tediosa, opaca e sem brilho. Razão pela qual os homens atribuem às coisas externas, “ou na lebre que se persegue”, os reais objetivos com os quais se busca a felicidade. Mas essa felicidade é passageira, uma vez que a posse e a conquista de uma determinada coisa (seja um bem ou um objeto específico, bem como a realização de algum projeto no âmbito pessoal ou profissional) não garantem a efetiva felicidade por parte do indivíduo. Pelo contrário, renova-se o anseio de se conquistarem mais coisas e de se projetarem novas possibilidades de satisfação.
Sendo assim, conforme assinala o próprio Pascal, “o homem (...) estando cheio de mil causas essenciais de tédio, a menor coisa, como um taco e uma bola que ele empurra, basta para diverti-lo”. Desse modo, a aspiração do indivíduo é pela caça e não pela presa, sendo a felicidade (momentânea) fruto da diversão; de tudo aquilo que desvia a atenção do ser humano das questões que dizem respeito à sua verdadeira natureza, encarada sob o ponto de vista da precariedade e do total abandono.
Por outro lado, muitos filósofos acreditam que a felicidade só pode ser alcançada no mais completo estado de repouso, longe das agitações e das incertezas cotidianas. Que a busca da felicidade pela via da cupidez e do puro divertimento é algo considerado absurdo e não condiz com o sentido último do ser humano, que é de conhecer a si mesmo. Assim, a felicidade estaria nessa nossa procura pela introspecção e na forma que o ser humano tem de pensar e encarar a sua própria inserção no mundo, guiando-se exclusivamente pela prudência e pela vida virtuosa, condição esta considerada essencial para se atingir a completa felicidade. No entanto, Pascal não acredita nesse argumento, por achá-lo demasiadamente reducionista, tendo ele observado que “(...) mesmo quando nos consideramos bastante seguros por todos os lados, o tédio, com sua autoridade privada, não deixaria de sair do fundo do coração, onde tem raízes naturais, e de nos encher o espírito de seu veneno”.
No fundo, para o filósofo Pascal, as duas posições estão certas e erradas. Para ele, somos movidos por dois instintos contrários e secretos: um que nos leva à posse de determinadas coisas, como se isto nos garantisse a verdadeira felicidade, apesar de buscarmos o puro divertimento; e o outro instinto que nos faz procurar incessantemente por algo a mais, algo que nos conforte e que só pode ser encontrado no mais absoluto repouso – a esse objeto tão procurado e desejado pelo ser humano, a ele damos o nome de Deus, embora esse mesmo Deus seja algo considerado pelo filósofo como inalcançável, pelo menos nesse plano (terreno) de existência.
Nessa perspectiva, somos por um lado miséria e sofreguidão, tendo que nos preocupar e nos entreter com objetos externos como razão de ser de nossa suposta felicidade, apelando ao divertimento como estratégia de fuga/desvio perante essa vida frágil e precária. Por outro lado, só Deus é esse objeto que nos acalanta e que pode, de fato, nos proporcionar a verdadeira felicidade.
Enfim, no dizer desse filósofo, somos seres divididos e incompletos, marcados pela dualidade e pela contradição, no que diz respeito à nossa incessante busca pela felicidade, que ora se baseia em Deus (inacessível e inatingível), ora na mais simples e pura diversão. Estranhas criaturas condenadas a viver o seu triste destino, já que “acreditam buscar sinceramente o repouso, mas não buscam de fato senão a agitação”.


FONTE: https://www.ufmg.br/boletim/bol1805/2.shtml

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Manifestações pelo Brasil

As manifestações de protesto pelo Brasil e a falta de uma consciência crítica

Acompanhei as manifestações de protesto pelo Brasil afora, tanto do dia 13 quanto do dia 15 de março último, com o foco no teor das reivindicações, das faixas e falas que foram compartilhadas aos milhares em todos os meios de comunicação e pelas redes sociais.
Inicialmente é bom deixar bem claro, que bom que o povo tem a liberdade e a vontade de ir para as ruas e demonstrar a sua insatisfação, incredulidade para com os políticos e até instituições. Numa época em que praticamente todos os brasileiros estão conectados, fica bem mais fácil apenas teclar ou digitar nas telinhas.
Entretanto, o ficou bem claro nas manifestações, sem medo de errar, foi grande parte dos manifestantes serem manipulados por determinados grupos e pela mídia de uma forma dissimulada e arquitetada em gabinetes e estúdios. Peço, não me jogue pedras antes do tempo e entenda a lógica da minha afirmação.
Um fato lamentável, indiscutível e evidente é que há casos de desvios bilionários de dinheiro público, envolvendo políticos, partidos políticos, empreiteiras, empresários, grandes corporações e executivos. Casos como estes da Petrobrás, certamente, há muitos outros, de outras empresas envolvidos em situações semelhantes, e que geram revolta e grande indignação. Grande parte do povo brasileiro quer um Brasil melhor, diferente, austero e que gere um desenvolvimento social e econômico com equidade.
Mas vejam o que acabei de dizer, grande parte, pois a outra parte não quer isso não, pois está interessada em privilégios e em manipulação coletiva para alcançar os seus objetivos. 
É neste ponto que entra a mídia e os que a bancam. É neste ponto que entram os grupos organizados com interesses escusos.
Então vamos à análise do teor das falas e centenas de cartazes que foram exibidos. Os chavões mais vistos e ditos foram: "Fora Dilma", "Fora PT", "Ditadura Já", "Impeachment", "Intervenção Militar Já", além de muitos outros. 
Uma coisa é certa, se alguém protesta para ter um país melhor, deve iniciar com o respeito às leis e, principalmente, ao que está escrito na Lei Maior, ou seja, a Constituição Federal. Como pode, então, alguém pedir o retorno de uma ditadura militar, se isto contraria frontalmente a nossa Constituição? Não tem lógica um coisa destas. Mas por quê ganhou tanta força esta proposta? A resposta é muito simples, os grupos organizados que querem um retorno de um regime nada democrático, mobilizaram uma pequena parte de manifestantes que com grandes faixas e cartazes saíram para as ruas e as exibiram para as lentes dos fotógrafos e cinegrafistas. A grande mídia veiculou insistentemente este tipo de coisa, e em menos intensidade contra-argumentou para elucidar a sociedade sobre a gravidade e aberração deste tipo de reivindicação e protesto.
Como é possível, além de ser inconstitucional, pedir aos berros o retorno de um regime que tanto mal fez ao país, que tanta tristeza gerou em milhares de famílias, que atrasou intelectualmente, economicamente e culturalmente o Brasil. Que praticou torturas em qualquer um que fosse suspeito de pensar diferente, do pensamento único posto naqueles anos, não importando se fosse uma jovem, uma mulher, gestante ou nutriz, ou um jovem, homem, pai de família, professor e assim por diante. Se pensava diferente tinha que ser enquadrado.
Dizer que não havia corrupção na época do regime militar é desconhecer completamente a história.
Ao pedir o impeachment de Dilma, faltam as bases legais para tanto e foi uma demonstração clara daqueles que não souberam perder as eleições. Se não gosta do governo atual, tem todo o direito de discordar, de protestar. A recomendação é simples, organizar para vencer as próximas eleições. E digo mais, há necessidade de trocar o Congresso em sua ampla maioria, portanto não basta tirar a presidente da República, pois o que ocupar o seu lugar neste momento não mudará absolutamente nada.
Ao gritarem o Fora PT, também é gritar ao vento, pois não resolverá nada. Quantos partidos no Brasil já deixaram de existir, principalmente os de direita, e pergunto, resolveu alguma coisa? Nada. Vou dar um exemplo, os políticos vão migrando para outros partidos quando se extinguem, os que eram da UDN nos anos 50 e 60 do século passado foram para a ARENA, depois PDS, depois PPB, em seguida PP, sucedido pelo PFL, que ao ser extinto virou DEM e se dividiu formando o  PSD. Alguns políticos migram de um lado para o outro como foi o caso do Sarney que saiu da UDN e mais tarde migra para o PMDB. 
O lema destes políticos é: "Tá tudo dominado". Portanto, lutar por um Fora PT, não resolverá nada, como também não resolverá um Fora PSDB. Quem mudará o país é o povo com a sua postura, com a sua participação em Conselhos Municipais, com conscientização política.
Gritar por gritar não levará a absolutamente nada.
Se queremos efetivamente mudar o Brasil, a Educação deve mudar e cito aqui uma das decisões da 2ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, ocorrido em Medellin, Colômbia, em 1968: "A Educação em todos os seus níveis deve chegar a ser criadora, pois devemos antecipar o novo tipo de sociedade que buscamos na América Latina".
Na conferência de Ministros da Educação, ocorrida em Caracas na Venezuela em 1971, foi dito o seguinte: "Toma corpo a ideia de uma educação libertadora que contribua para formar a consciência crítica e estimular a participação responsável do indivíduo nos processos culturais, sociais, políticos e econômicos".
Lamentavelmente, alguns protestos se voltaram contra Paulo Freire, que é uma referência internacional em educação. Este sim, lutava por uma educação libertadora que, em outro momento descreverei com mais detalhes.
Vamos mudar o Brasil sim, mas jamais abrir mão de um processo democrático.


Carta Aberta aos brasileiros - A quem interessa o impeachment da presidenta Dilma Rousseff?

Desde que ocorreu a última eleição presidencial, na qual Dilma Rousseff foi reeleita como presidente ou presidenta do Brasil, iniciaram os movimentos para a sua derrubada. Houve várias tentativas e formas, primeiro para que nem fosse diplomada, depois que não tomasse posse e que fosse cassado o registro da Dilma e de seu vice Michel Temer e, em seu lugar, o candidato que ficara em segundo lugar, ou seja, Aécio Neves ocupasse a presidência. Como nada disso deu certo, iniciou-se uma movimentação nacional para tentar o impeachment de Dilma Rousseff, tendo como fundamento a grave crise política gerada a partir da Operação Lava-Jato, que investiga o bilionário desvio de recursos da Petrobrás, apelidado de Petrolão.
Não quero aqui ser advogado da Dilma, nem do PT, nem de ninguém. Quero unicamente fazer uma refelxão sobre o que está por trás de todo esse movimento de impeachment.
Para começar, IMPEACHMENT é um ato político e não tem nada a ver com o Judiciário como alguns estão imaginando. No dicionário encontraremos a seguinte explicação: "Impeachment é uma expressão inglesa usada para designar a cassação de um chefe do Poder Executivo. Significa também impedimento, impugnação de mandato, retirar do cargo uma autoridade pública do poder Executivo". Portanto, que fique claro, que isto é um procedimento do Poder Legislativo. Em outras palavras, um ato político.
Pergunto: quem atualmente, em sua grande maioria compõe o novo Congresso Nacional? Vários deles são suspeitos e sendo acusados na Operação Lava Jato. Para dar um exemplo, segundo já publicado e veiculado na mídia impressa e televisiva, dez dos 15 deputados indicados até o momento para a nova CPI da Petrobrás receberam doações nas últimas eleições, algo em torno de R$ 1 milhão e novecentos mil reais, das empreiteiras citadas na operação Lava Jato e prováveis alvos da CPI criada.
Não. Esse país não é sério. São estes que estão propondo o impeachment de Dilma. A primeira coisa a ser deixada bem clara é que, caso isso de fato ocorresse, é que no caso de seu impedimento quem assume a presidência é o vice Michel Temer. Ora, o que significa isto, sob o ponto de vista político? Michel Temer é do PMDB, que está tão envolvido com toda esta roubalheira da Petrobrás e de tantas outras empresas quanto o PT. Também não tenho medo de afirmar qaue todos os partidos, uns mais e outros em menor escala estão envolvidos com irregularidades. Partido político no Brasil virou um grande negócio.
Outra coisa que tem que ser lembrado neste momento é que os governos estão a serviço das grandes empreiteiras e empresas, muitas delas multi e transnacionais. Estas, por sua vez, são altamente especializadas e envolvem e financiam políticos, governos e governantes, pois controlam todo um sistema econômico. Não é por acaso, que tantos empresários estão presos ou respondendo por crime nesta ação. Não tem inocente nesta história.
Portanto pergunto novamente: a quem interessa o impeachment? Para muitos, o impeachment acalmaria uma parte da sociedade e os enganaria, tentando mostrar que todo o problema estaria resolvido. Ledo engano.
Eu sou uma testemunha viva, como muitos que lerão este artigo, do impeachment do presidente Fernando Collor de Melo. Também fui um "cara pintada" em Belém do Pará, levando alunos do Ensino Fundamental para as ruas, com as caras pintadas, tarjas pretas e gritos de ordem. Confesso que me envolvi naquele movimento nacional, por motivações ideológicas, acreditando piamente que estava ajudando a moralizar o país. Mas afinal, valeu a pena isto tudo?
O processo de impeachment de Collor foi aprovado no Congresso Nacional por 441 votos a favor e 38 contra, no dia 29 de setembro de 1992, quando foi afastado do governo. Ele renunciou no dia 29 de dezembro daquele ano o que não impediu a finalização do processo. Na época, ele foi acusado por mais de 100 crimes, entretanto no dia 12 de dezembro de 1994, o Supremo Tribunal Federal inocentou Collor do crime de corrupção passiva do qual era acusado. Dos demais crimes, foi absolvido da mesma forma, tendo como advogado o ex-deputado e condenado no mensalão o advogado criminalista Roberto Jefferson. Mais tarde, Collor retornou à vida pública, deu a volta por cima e atualmente é Senador da República.
Quem estava com Collor na época, também era o atual presidente do Senado Federal Renan Calheiros, poderoso e também acusado de corrupção. Caso viesse a ocorrer o impeachment de Dilma, Renan seria o maior beneficiado com todo o processo. Portanto, pergunto novamente: Vale a pena? A quem interessa?
Nossa luta não pode ser por um processo de impeachment, mas sim contra a corrupção. Esta sim deve ser combatida, e ressalte-se, está em todos os partidos e no DNA de grande parte dos políticos que se dizem representantes do povo. Estes, não representam o povo, mas unicamente as grandes empresas, os oligopólios, as transnacionais que os bancam para que ajam em favor de seus interesses econômicos.
Espero sinceramente, que todos os envolvidos com a corrupção, empresários, políticos ou mesmo representantes de outros poderes, seja na Petrobrás ou qualquer outra empresa, sejam punidos. 
Impeachment neste momento ofuscará e enganará a sociedade e esconderá o verdadeiro problema.
Para finalizar, lembro o que tenho dito a meus alunos de Comunicação Social, que grande parte da mídia está a serviço desta onda e por este motivo cito Joseph Pulitzer, inspirador do principal prêmio de imprensa e literatura nos EUA: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".

Escrito

Ditadura Militar - Um breve resumo


Como nasceu a Ditadura Militar?

A Ditadura Militar nasceu de um pacto entre países os USA, outros países desenvolvidos e a elite brasileira( alguns militares). O principal objetivo era combater as massas populacionais pobres em países da América Latina para que não adquirissem cultura a ponto de compreender como funciona a política e diminuir a diferença cultural e econômica social. O Brasil na ditadura era muito mais pobre do que o atual, porém abriu portas para o comércio com a "fusão" aos estados unidos, muitas estradas foram abertas nesse tempo, em contrapartida ouve maior taxa de analfabetismo, desigualdade e mortalidade infantil.
 




O golpe militar de 1964

A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.

Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.

Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava.

No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil (Rio de Janeiro), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.

Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.

O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 (AI-1). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.

GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967) 

Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária. 

Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam intervenção do governo militar.
Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos: Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares.

O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.

GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969)

Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE (União Nacional dos Estudantes) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. 

Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar. 
A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada.

No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 (AI-5). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.
Passeata contra a ditadura militar no Brasil   

  

GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)

Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica). 

Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN sequestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva".

No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.

GOVERNO MÉDICI (1969-1974)

Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Médici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como " anos de chumbo ". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.

Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.

O Milagre Econômico

Na área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.

Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.

GOVERNO GEISEL (1974-1979)

Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais diminuem.

Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades.

Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante.

Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.

GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985) 

A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, embora até hoje nada tenha sido provado.

Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como: Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT).


A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas Já

Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.
Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.

No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal.

Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir e acaba falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país. 


Conclusão

A ditadura militar foi boa para  países desenvolvidos e para a elite brasileira e América Latina, para os os pobres restavam creolina e óleo diesel. A ditadura militar simplesmente devastou a educação, só era ensinado o que os militares aprovavam, professores e alunos foram retirados e torturados em sala de aula. Cada sala de aula possuía um militar que monitorava para verificar se nada infringia as "regras".







Aulas de História e Filosofia por exemplo, foram removidos das grades curriculares, não permitindo que os alunos tivessem ideia do que estava ocorrendo, mascarando as atrocidades cometidas na época do regime militar logo, naquele período, a política era usada em benefício da minoria.

Elite que até hoje desfruta da falta de informação das pessoas.


Naquela época, assim como em qualquer outra do Brasil, existia corrupção, porém os registros, provas e consequentemente pessoas que tinham esse conhecimento foram literalmente apagadas.

Ajustado e publicado por Wellington Ervino Teske


Fonte:http://www.suapesquisa.com/ditadura/